'300' de Zack Snyder

O estilo único e o sucesso de Sin City resultou de imediato em outra adaptação de mais uma obra aclamada de Frank Miller. Passado no ano 480 AC, 300 conta em estilo fantasioso a história da Batalha das Termópilas, onde o Rei Leonidas de Sparta reúne os seus melhores 300 guerreiros para combater numa primeira fase e reter os invasores Persas aproveitando a vantagem da localização geográfica. Em inferioridade numérica os 300 Espartanos enfrentam os milhares dos vastos impérios persas liderado por Xerxes.
O filme, realizado por Zack Snyder (remake de Dawn of the Dead), não é mais do que um produto visual, que tenta integrar o melhor do entretenimento moderno aproveitando o rótulo de 'baseado numa obra de' com uso exagerado de slow motion tornando-se um bocado incómodo e por vezes até monótono. Quem está a espera de um filme com conteúdo ou até mesmo riqueza histórica não irá encontrá-lo aqui. Nunca foi prometido o novo grande épico, isso é certo. O que se assiste nos trailers e o que lêem nas sinopses é o que levam, nada mais. No entanto o hype até fez isto parecer um caso do melhor que o cinema moderno tem para oferecer mas é somente um filme de encher o olho, visualmente impressionante é verdade, mas muito visual que até se torna demasiado artificial. Fora isso, 300 é meramente um produto de pura testosterona, carregado de adrenalina e estilo. Um imenso espectáculo visual com grandes sequências de acção abarrotado de efeitos especiais por todos os cantos. Simples mas brutal entretenimento que ao tentar ser original e impressionar tanto com o seu visual, faz o terrível erro de parecer mais um jogo de vídeo do que um filme.

Muito se comenta sobre este (e outras) tipo de adaptações, mas o rótulo de 'fiel ao material original' não é desculpa nem parece funcionar aqui. Muitas outras adaptações sofrem alterações e são moldadas para filme para pelo menos funcionarem como tal, independentemente da visão de cada um. Sem querer tirar mérito à ideia das tiras de comics serem trazidas á vida para o grande écran, neste caso e ao contrário de Sin City, o filme não parece resultar tão bem como um todo.
Onde o filme ganha em acção e sangue, perde por completo em conteúdo - isto é em emoção, caracterização das personagens e drama no desenrolar da história. Não podemos ficar menos indiferente se um dos soldados morre para querer simplesmente assistir ao próximo golpe em slow-motion. Com personagens vazios sem drama ao contrário de épicos que tão bem conhecemos e elogiamos como Braveheart e Gladiador, e até mesmo a adaptação de Peter Jackson de O Senhor dos Anéis.
No entanto e resumidamente, se forem fãs da obra de Frank Miller e se gostaram de Sin City é mais que certo que irão, ao menos, gostar desta adaptação.
















