Mostrar mensagens com a etiqueta reviews09. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta reviews09. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Paranormal Activity - Crítica

O filme sensação do ano nos Estados Unidos da América chegou esta quinta-feira às nossas salas. Actividade Paranormal teve uma inteligente e invulgar campanha de marketing, onde o produto fez valer por si e a audiência ajudou a espalhar a palavra e exigiram o filme nos cinemas das suas cidades. Conseguiu ainda ultrapassar a barreira dos 100 milhões de dólares no box-office, e isto só nos Estados Unidos.

Um dos problemas do filme começa precisamente por aqui, isto derivado por uma estratégia de marketing que o conseguiu ‘vender’ exageradamente bem e que levou a nada mais do que fortes expectativas criadas em redor do mesmo. Porque apesar de até ser um bom filme, aproveitaram-se de referências que o levaram a ser considerado como ‘o mais assustador filme de sempre’ ou ‘o mais aterrador’. Afirmações essas que – apesar do estado de espírito de cada um – não pode estar mais longe da verdade. Se levam isto em conta então sairão desiludidos e até fraudulentos, já que estão a ‘comprar’ algo que não o é. Actividade Paranormal poderá até cativar a audiência mais generalizada, mas duvido que consiga surpreender os fãs mais fortes e habituais do género, deixando-os apenas com uma sensação de simpatia e conforto, ou de uma fidelidade ao bom velho ambiente do tema de ‘casas assombradas’, este cruzado com a manobra de misturar a ficção à realidade.

Realizado por Oren Peli e filmado na própria casa do realizador em 7 dias, o filme retrata na primeira pessoa o registo de actividade paranormal que tem assombrado ultimamente a casa de um jovem casal, Katie e Micah. Ela mais frágil e assustada, ele mais sério e céptico. Mais uma vez, a única pista deixada sobre os acontecimentos são as filmagens gravadas, o cliché bem ao género de um falso documentário à lá Blair Witch.

O filme tem também um grande problema de ritmo no ponto mais fulcral. A sua introdução é ideal para familiarizarmos com a história e criarmos empatia com o casal principal, mas a película sofre principalmente no que é melhor: nos momentos nocturnos, principalmente as filmadas no quarto do casal. Apesar de serem as melhores cenas do filme (com um excelente ângulo de enquadramento), teriam muito mais impacto se fossem mais extensas. No entanto, deixa a ansiedade no ar de quando acaba uma noite (vão aparecendo numeradas no ecrã juntamente com a hora) de querer assistir aos acontecimentos da próxima.

O fim de Actividade Paranormal é a chave do filme, e por aqueles breves segundos ficamos esclarecidos como surpreendidos. Este final presente nestas novas exibições foi editado, segundo dizem sugerido por Steven Spielberg. O final original, pelo que li, quando a longa metragem foi exibida em alguns festivais em 2007 tais como o Screamfest e o Slamdance, não me parece mais surpreendente apesar de se calhar fazer mais sentido. Pelo lado mau, neste final editado fica tudo em aberto… E já se houve falar de uma possível sequela.

Para terminar é importante voltar a referir o hype criado à volta deste filme, já que não se parece justificar. Mas sendo um produto americano – isto sem menosprezar a qualidade dos poucos mais ainda bons filmes americanos de terror – os apreciadores do género já estão habituados a outro tipo de terror, até mais tenso e variado (o cinema de terror Francês, Espanhol e Britânico são óptimos exemplos), do que o público americano parece neste caso sugerir? Comparações à parte, mas [REC] (2007) é um perfeito exemplo disso, e vê-se pelas ‘piscadelas de olho’ de vez em quando (o sótão, a arrastadela, o final e até o trailer que utilizou o mesmo conceito das reacções do público – propositadas ou não, elas estão lá). Em vez disso, os americanos têm o Quarantine (2008) e parecem satisfeitos com isso… São gostos de terror diferentes, e ‘o filme mais assustador de sempre’ é um lugar muito difícil de se chegar, e Actividade Paranormal nem sequer ao pódio se aproxima. Nota-se que houve aqui um óbvio exagero e claro aproveitamento da publicidade gratuita, mas este é o Blair Witch dos nossos dias e certamente vai abrir as portas a outro género de cinema a uma nova geração, tal como o Blair Witch fez nos finais dos anos 90.

Apesar das falhas, Actividade Paranormal é um filme interessante e acima de tudo é directo, simples, mas eficaz. É sem dúvida um filme inquietante para se ver, principalmente para quem gosta deste modelo de ‘falso documentário’ e do estilo da filmagem handycam (ou shakycam). Fica aqui a questão, será que o filme visto em casa enriquecerá a experiência? Quando sair o DVD comprovamos.

Photobucket

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Moon - O Outro Lado da Lua: Review


Terceira e última parte do especial Moon do Ante-Cinema:

“Ground control to major Tom, take your protein pills and put your helmet on. Ground control to major Tom, commencing countdown engines on…”, abria assim David Bowie o seu álbum de 1969, ‘Space Oddity’, sobre um astronauta deprimido no espaço. Em 2009, o seu filho, Duncan (Zowie) Jones, estreia-se na realização filmando a sua própria visão de uma odisseia no espaço. Perdoem-me os clichés, mas depois da espera, da antecipação e interesse perante Moon, pode-se dizer que o filme está bem ao nível das expectativas criadas.

Mais do que um filme de ficção-científica, ou até de uma visão pensativa e desconcertante de um futuro muito próximo, Moon é um filme inteligente, que consegue injectar um interessante e intrigante relato humano neste ambiente futurista, concentrando-se totalmente na sua história. Um retrato de apenas um simples trabalhador no espaço (Sam Rockwell), onde a sua única companhia é Gerty (voz de Kevin Spacey) um robô de controlo (e muito anti HAL), atencioso, amigo e preocupado, apesar de algumas cenas fazerem mesmo lembrar o mítico e intenso robô de 2001: Uma Odisseia no Espaço. As suas plantas e a sua maqueta que Sam perdeu horas e horas a construir são as suas únicas distracções, assim como podcasts em indirecto. A 2 semanas de acabar o seu contracto de 3 anos, Sam sofre um acidente que dá origem a um estranho acontecimento onde começa a duvidar da sua insanidade e até mesmo da sua existencialidade. Sam apenas tem um desejo: de voltar a casa para junto da sua mulher e da sua filha de 2 anos, que apenas a viu crescer por emissões em diferido.

Moon é nada mais do que um drama humano, uma história de amor e coragem a si próprio.

A interpretação de Sam Rockwell vale pelo seu todo, tanto emocionalmente como fisicamente. Ele é dinâmico, multi facetado, ele é a grande parte do filme. O empenho do actor é notável, mais que isso, ele respira a personagem de Sam Bell. Apenas quem anda distraído não sabe as potencialidades deste actor, e, no entanto, voltamos à mesma história: nunca foi nomeado para os Óscares apesar dos mais variados registos em filmes como Choke – Asfixia, Amigos do Alheio, Confissões de uma Mente Perigosa e À Procura de um Milagre, só para numerar alguns. Ao que nos chega ao facto de se perceber quanto compreensível é a campanha online para uma nomeação para Sam Rockwell. Aqui parece-se justificar plenamente, e para não falar que recentemente foram vários os ‘pequenos filmes’ que encontraram o caminho para os Óscares nas últimas edições, este ano pode ser a vez de Moon. Se não for, a interpretação fala por si!

Os outros grandes destaques vão para a fotografia de Gary Shaw, que é de um realismo impressionante. E os efeitos especiais filmados com modelos de miniatura (num presente onde o CGI reina) podia não parecer mas ainda são muito credíveis nos dias de hoje. Portanto, ‘o muito’ não significa ‘melhor’, e Moon é um perfeito exemplo disso. De referir também a grande banda sonora de Clint Mansell que ajuda para a lenta progressão do ambiente do filme, isto tudo a juntar a uma realização convicta e inspirada.

Longe dos actuais blockbusters do género e apesar das suas pesadas e notáveis influências, Moon nem precisava de ser rotulado como uma aproximação aos filmes de ficção-cientifica dos anos 70/80, porque ele é de facto um excelente filme em qualquer década. Melhor que isso, é um filme que certamente irá crescer pelos anos fora. Obra prima? Isso só o tempo o dirá…

"I’m the original Sam Bell! I’m Sam fucking Bell!"

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Review 'The Surrogates - Os Substitutos'

Os Substitutos é sem enganos o que de facto dava a entender: mais um típico thriller de acção futurista, e realmente o filme perde-se em alguns momentos com clichés ao Blade Runner, Matrix, Minority Report e até ao fraco I, Robot. O realizador Jonathan Mostow mantêm o registo do seu filme anterior, T3: A Ascensão das Máquinas, até em certas cenas de acção presentes em Os Substitutos, o filme parece ser o mesmo. Logo é algo que apesar de já termos visto algumas vezes, é surpreendentemente um filme que não desilude se já formos mentalizados para o que vamos e se gostarmos do género.

Passado em 2017, mais de 90% do mundo é dependente de Surrogates, andróides que fazem o trabalho todo (e tudo mesmo) por nós, sem nos preocuparmos com danos físicos nem doenças. Os Surrogates são basicamente umas versões melhores e mais bonitas de cada um de nós. Imaginem um jogo virtual ao género de Sims, mas com pessoas verdadeiras a controlar as personagens pelo mundo real. Apesar disso, os humanos vivem isolados da sociedade, sem contacto com o mundo real porque interagem com o mundo a partir dos seus andróides que controlam remotamente a partir dos seus sofás ou camas. Neste pano de fundo o filme centra-se na investigação de dois agentes do FBI (Bruce Willis e Radha Mitchel), que investigam um aparecimento de uma arma nova que, com uma descarga electro-magnética, consegue matar simultaneamente o Surrogate e o humano que o controla. Quando o Surrogate de Bruce Willis é danificado, ele têm que levar a investigação pelas suas próprias mãos (ou corpo)...

A narrativa parece saída de uma das obras de Philip K.Dick, mas é baseado na mini-série de 5 volumes dos comics de Robert Venditti (a descobrir), o filme é praticamente uma indirecta aos dias de hoje, com dilemas morais, pessoais e familiares, tudo isto numa desconfortável visão do futuro. Mantido com um tom sério ao longo do filme inteiro, é essa narrativa séria juntamente com os dilemas verdadeiramente humanos que fazem Os Substitutos um filme agradável e pensativo, com um lado mais inclinado para os mortais e não para as máquinas.

Apesar da narrativa ser um bocado previsível, Mostow faz um excelente trabalho em manter o interesse e o filme vivo. E o tempo do filme também parece ajudar, apesar da sua curta duração, ficamos com a sensação que não se perde por entre narrativas desnecessárias e apresenta um filme directo e com um ritmo certo.

Apesar de estar muito longe das obras primas do género, o realizador comprova que apesar dos clichés sabe fazer um bom filme de acção e ficção-cientifica. Se pensarmos em Os Substitutos com um blockbuster, então provavelmente o publico sairá desiludido. porque vai esperar um filme que certamente não o é: Um novo I, Robot cheio de piadas à americana...



segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Review - Ponyo

A magia de Hayao Miyazaki continua neste seu novo filme, Ponyo à Beira-Mar. Livremente inspirado no conto 'A Pequena Sereia' de Hans Christian Andersen, Ponyo é o décimo filme de animação de Miyazaki, o oscarizado realizador japonês (ganhou o Oscar de melhor animação com o aclamado A Viagem de Chihiro e foi nomeado por O Castelo Andante) que nos vem deliciando com as suas obras de animação já desde os anos 70.

Como o realizador já nos habituou, este é mais um filme de animação tradicional para se ver em 2D e desenhado 'à mão' se assim o podemos dizer. Mas este filme parece levar ainda mais a sua paixão por este método já que é ainda mais tradicional em todos os sentidos (que já se notava pelo trailer), que prova mais uma vez que Miyazaki é fiel e não se rende ao digital.

Numa narrativa simples e como sempre com lendas japonesas à mistura, Miyazaki transporta-nos de novo para um mundo mágico e poético nesta fábula de animação imaginativa que irá encantar tanto crianças como adultos, onde a terra (humanos) e o mar unem forças para evitar uma catástrofe desnecessária, tudo por uma amizade sem limites ou muito simplesmente pelo amor...

Sosuke encontra um peixe-dourado à deriva e resgata-a, dá-lhe o nome de Ponyo, mas mal ele sabe que salvou uma princesa do mar com poderes mágicos que, desde cedo, se quer tornar humana.

Ponyo pode não ser um dos melhores trabalhos de Miyazaki, nem está ao mesmo nível de fantasia dos seus anteriores trabalhos, não se enquadra nem pode ser comparado a filmes como Chihiro e Howl's Moving Castle, são diferentes, o mais acertado seria talvez dizer que é mais direccionado para audiências do género  de Totoro e Kiki's Delivery Service. Mas não seremos todos crianças no que toca a obras dos estúdios Ghibli? É que Ponyo como fábula delicia-nos o suficiente para garantir que esta é uma das melhores, mais belas e divertidas animações dos últimos anos e que certamente tão cedo não iremos assistir a outra assim. Ponyo é mais um raro oásis nesse deserto de filmes de animação.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Review - Inglourious Basterds

Finalmente, o aguardado regresso de Tarantino nas nossas salas! Desde que foi apresentado em Cannes que a espera se tornava cada vez mais longa. Inglourious Basterds (Sacanas Sem Lei) é o seu longo épico de guerra, que esteve na mente do realizador à mais de 10 anos.

Poderá ser esta a sua obra-prima? Pois pelo menos Tarantino dá a entender que sim, aliás até refere isso numa das linhas do filme muito directamente (sem querer estragar nada).

Para os fãs do estilo a que o realizador já nos habituou, é certo que não ficarão desiludidos com este novo filme. É Tarantino sem dúvidas nenhumas, com longos e elaborados diálogos que dão grande caracterização e riqueza às personagens, por isso está longe de ser um filme de guerra vulgar. É uma versão diferente dos factos num filme de guerra nunca visto em cinema, e isso tanto em violência como em detalhes. Incorrectamente delicioso, tanto politicamente como historicamente, neste cenário alternativo passado durante o terceiro Reich de Hitler.

O filme é divido em cinco capítulos, todos com uma fantástica fotografia. O primeiro e o último capitulo são de longe os melhores, isto sem menosprezar os restantes, mas pessoalmente achei que o capitulo final sofreu um bocado de ritmo na montagem que não é normal nos filmes de Tarantino. Para mim, vindo do realizador, espero sempre qualidade, e nota-se que Tarantino deixou-se talvez entusiasmar em demasia... Penso que tal como Kill Bill este é mais um filme que irá crescer ao longo dos anos. Apesar disso, estamos perante a mais um filme dos 'melhores do ano'.

Destaque mais que merecido para Christoph Waltz, uma interpretação sem dúvidas fora do normal. E Brad Pitt que, apesar de ser muitas vezes esquecido, também merece uma menção.


domingo, 23 de agosto de 2009

A minha crítica na Premiere!

Para mais tarde recordar...

A edição de Agosto da Premiere portuguesa, capa de Inglourious Basterds, publicou na secção Crítica do Leitor a minha review (ainda que editada) de Let the Right One In - Deixa-me Entrar. Para os interessados podem encontrar a crítica completa aqui.

É claro que fiquei contente, isso não o posso negar, mas fiquei ainda mais surpreendido por a terem publicado, já que não recebi nenhuma confirmação disso mesmo. Mas o melhor para mim, para além disto tudo, é que ainda não tinha comprado a revista e já me tinham avisado de tal facto, dois conhecidos que leram e reconheceram a crítica (não pelo nome estou certo), e isso para mim sim, não têm preço...

Obrigado!

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Review: The Uninvited - Os Indesejados

Remake do aclamado e fabuloso 'A Tale of Two Sisters' do coreano Kim Ji-woon (A Bittersweet Life; The Good, the Bad and the Weird), que começou a produção com o mesmo titulo do original mas que foi posteriormente alterado para The Uninvited, Os Indesejados em português. O remake americano, realizado pelos 'novatos' irmãos Charles e Thomas Guard, é o mais recente titulo da dupla de produtores Walter F. Parkes e Laurie MacDonald, que trouxeram o remake que começou tudo(?): The Ring, realizado exemplarmente por Gore Verbinsky. O filme têm nas interpretações principais os nomes de Emily Browning, Arielle Kebbel, Elizabeth Banks e David Strathairn.

Os Indesejados centra as principais atenções nas irmãs Anna e Alex. Anna regressa a casa após um período de 10 meses em que esteve internada numa clínica psiquiatra após ter assistido ao trágico acontecimento que vitimou a sua mãe. No seu regresso descobre que Rachel, a enfermeira que cuidou da sua mãe até à sua morte, mudou-se para a sua casa e está agora noiva do pai. A desconfiança perante a sua nova 'madrasta' aumenta a partir do momento em que começa a recordar-se de memórias perdidas e é assombrada por visões reveladoras, junto com a sua irmã Alex irão desvendar a verdade e convencer o pai delas das verdadeiras intenções da sua noiva.

Como em todos os remakes, para quem já viu o filme original, é impossível não estar sempre a um passo à frente... Ainda por cima este remake não acrescenta nada de novo. Assim sendo pode-se dizer que o filme satisfaz e irá (talvez) surpreender apenas a quem não conhece o filme de Kim Ji-woon. Esta versão americana não muda assim muito perante o original, há muitas cenas diferentes mas a trama central está intacta, mas o maior problema é a maneira como o filme desenvolve essa trama como o núcleo da narrativa, mesmo apesar de ter todos os elementos e uma boa atmosfera este thriller de suspense falha crucialmente no twist principal acabando num fraco climax.

Apesar de não ser tão tenso como previsto, há que destacar a química entre o trio feminino que é fabulosa. Emily Browing (Violet em Lemony Snicket's A Series of Unfortunate Events) não é nova nos filmes do género, entrou em filmes como Ghost Ship e Darkness Falls quando era pequena e amadureceu bastante, está mais confiante neste papel mais adulto e é ideal para esta personagem: jovem, fraca e inocente. Elizabeth Banks traz uma interpretação mais clássica da típica 'madrasta má'. De resto fica-se sempre com aquela sensação que 'é apenas mais um remake' e que poderia ser melhor. Este é um perfeito exemplo que dá continuidade à moda de Hollywood em pegar num filme de sucesso do terror asiático e recria-lo para uma audiência mais jovem. Apesar de estar um bocado acima (digamos que é um remake simpático) do que a média medíocre dos mais recentes remakes asiáticos, é pena ver histórias com este potencial desperdiçadas, e provavelmente serem lançadas para o mesmo 'caixote' juntamente com o The Eye e One Missed Call, esses sim... péssimos, que nem justiça fazem aos originais.

Sejam os remakes bons ou maus é sempre discutível, para o melhor ou para o pior, mas é verdade que mantêm sempre o original intocável, mas será mesmo que os remakes podem dar a conhecer um outro cinema que o publico mais mainstream não conhece? Ou será que esse mesmo publico desconhece que o filme em questão se trata de um remake? E será que se aventuram ou nem se importam?

Photobucket


segunda-feira, 27 de julho de 2009

Review: Transsiberian (Transiberiano)

Brad Anderson, o realizador que nos trouxe em 2004 o thriller psicológico 'O Maquinista' com Christian Bale e Jennifer Jason Leigh, traz-nos de novo mais um grande thriller sombrio: Transsiberian. É raro um realizador conseguir mudar drasticamente de estilo (o que não é o caso) e conseguir manter a qualidade, isto só para dizer que também há um certo conforto ao manter o seu estilo próprio, que até mais tarde pode até ser referido como uma marca do realizador. Apesar de Brad Anderson já ter mostrado que consegue fazer outras coisas tal como os romances 'Next Stop Wonderland' e 'Happy Accidents', ou mesmo thrillers com elementos de terror em 'Session 9' ou nos episódios realizados para as antologias 'Masters of Horror' e 'Fear Itself', parece que o realizador se sente muito mais confortável e confiante neste género particular de thrillers.

Desta vez a trama desenvolve-se no expresso transiberiano (o filme Horror Express de 1972 com Christopher Lee e Peter Cushing passa-se no mesmo comboio), durante a viagem de Pequim para Moscovo onde seguimos o casal principal interpretados por Woody Harrelson e Emily Mortimer - Mortimer que têm aqui uma fabulosa performance - onde se vêem envolvidos numa trama de conspiração e falsa acusação a partir do momento que conhecem um outro casal, Abby (Kate Mara) e Carlos (Eduardo Noriega), que rapidamente descobrem que não são o que aparentam... Ben Kingsley também têm aqui um pequeno e fabuloso papel como um agente da KGB.

Os comboios são ambientes bastantes tensos, quase claustrofóbicos, e são fantásticos locais para criar e manter o suspense tal como Alfred Hitchcock nos mostrou por três vezes em 'The Lady Vanishes', 'Strangers on a Train' e 'North by Northwest'. Basicamente, é fácil de dizer que Transsiberian também é um filme muito Hitchcock, não só pela trama se passar num comboio, mas pelo desenrolar da narrativa e também pelo factor do 'culpado inocente envolvido numa trama de espionagem' tão bem presente em muitas das obras de Hitchcock. Mas o termo 'à Hitchcock' é mais usado pela particular forma de manter o suspense e o mistério, no que mostrar e no que deixar à imaginação. Não é novidade que Hitchcock é um dos realizadores que mais influenciaram a sétima arte, e foram muitos os realizadores que se inspiraram nas técnicas do Mestre ao longos dos anos: Steven Spielberg, Martin Scorsese, Brian de Palma, Francis Ford Coppola, David Lynch, Jonathan Demme, M. Night Shyamalan entre outros... Só para dar alguns exemplos.

Tal como Brad Anderson nos mostrou com o seu antecessor, este é também um excitante e tenso thriller. E mesmo apesar de se tornar por vezes um cliché - transpondo a fina linha entre a originalidade e a imitação - o filme oferece um pouco de tudo o que é necessário para ser eficaz: uma boa história de suspense e mistério, boas interpretações e caracterização das personagens numa trama complexa, e uma confiante realização numa fotografia fabulosa que ajuda muito o ambiente do filme. Fica-se arrepiado com a isolada e gelada paisagem e também agarrados com o lento desenrolar da narrativa tensa e imprevisível que parece construída degrau por degrau, com pistas falsas e alguns twists inesperados. Brad Anderson prova-nos mais uma vez que sabe como criar suspense e este Transiberiano é um filme que se recomenda.

Photobucket



http://videos.sapo.pt/inOJNQVoZBbzFbih6Atj

domingo, 19 de julho de 2009

Review: Harry Potter e o Príncipe Misterioso

A saga milionária de Harry Potter no cinema chega agora ao seu sexto filme, Harry Potter e o Príncipe Misterioso. Para muitos, fãs e não só, é sem dúvida uma das mais consistentes, divertidas e fantásticas sagas da história do cinema do género de fantasia. Daqui a largos anos, quando apontarem sagas que ficaram na história do cinema como um marco da primeira década do novo século, Harry Potter será uma delas, quer-se goste ou não.

David Yates regressa à realização e sem surpresas. Depois de Chris Columbus, Alfonso Cuaron e Mike Newell, é inegável que Yates triunfou com o capítulo anterior, A Ordem de Fénix, e injectou novo sangue à saga, não só no divertimento mas na caracterização e maturidade dos filmes. Não espanta também que o realizador já esteja comprometido para o último capitulo da saga que irá ser dividido em dois filmes, a estrear na época de natal em 2010 e no verão de 2011. E é curioso de referir que o nome de David Yates (realizador da mini-série State of Play da BBC, adaptado à pouco tempo em filme) era apenas a 3º opção do lote de realizadores pretendidos pela Warner, e devido às desistências (de Mike Newell de O Cálice de Fogo incluído) foi então escolhido para continuar – e neste caso finalizar – a saga no grande ecrã, e pelo o que já se viu, com bastante confiança.

O filme, que estreou agora em todo o mundo depois do estúdio decidir adiar a estreia em 6 meses, teve enorme sucesso comercial nas bilheteiras mundiais e já amealhou até ao momento (em 19 de Julho) 396 milhões em todo o mundo. Foi também bem recebido pela crítica mas (como sempre) dividido pelos fãs.

Sem querer entrar em muitos detalhes, é inevitável não comparar o novo filme ao livro, ou aos restantes filmes da saga. Este sexto capítulo não foge ao espírito dos três anteriores, mas curiosamente é um filme diferente, principalmente da Ordem de Fénix, tanto em nível visual como em narrativa. A atmosfera mais dark e adulta que a saga nos habitou desde Azkaban continua presente, principalmente agora que Hogwarts é um sitio mais 'parado' e sem magia (sem quadros, nem fantasmas), mais em estado alerta e sempre vigiado, arrisco a dizer talvez a antecipar os eventos que irão ocorrer. Se é o capítulo mais negro da saga? Sem dúvida, podemos considerar este filme como o 'Revenge of the Sith' da saga Harry Potter. Se é um dos melhores filmes da saga como muitos aclamaram? Não, nem tão pouco é melhor que o seu antecessor, mas sem querer entrar por extremos: é sem dúvida um dos grandes e importantes pontos da saga.

Como sempre, a adaptação tem os seus contornos em comparação ao livro, ficando bastante de fora – seja isso bom ou mau – mas este novo filme parece-se por vezes centrar-se em demasia nas personagens principais, que já tão bem conhecemos desde o primeiro capítulo, e nas suas relações amorosas muito ao estilo das comédias românticas adolescentes. Isto em vez de se concentrarem mais no que realmente interessa: em mais Dumbledore, em mais flashbacks do passado de Tom Riddle (Voldemort), e na obsessão de Harry Potter pelo Príncipe Meio-Sangue, no qual a sua revelação no final deixa de ter tanto impacto como merecia. Aliás não é isso que dá o nome à obra?

O trio das personagens principais cresceram, estão mais rebeldes e mais confusas em termos de sentimento de romance. Essa confusão parece ter vindo juntamente na transposição para o grande ecrã no que retrata a Ron sempre mais para o lado cómico, ao contrário da relação entre Harry e Ginny que já é de um outro nível, muito palpável e convicta. Mas o maior destaque nos jovens actores terá que ir para Tom Felton como Draco Malfoy, um dos melhores no seu papel, um vilão forte e carismático. E para isso basta ver o início na carruagem do comboio para não se ter dúvidas que irá ser um dos pontos altos do filme. Sobre as caras novas o destaque vai obviamente para Jim Broadbent no papel do Professor Slughorn.

Sobre alguns dos mais cruciais momentos que foram cortados do livro, é no entanto importante de referir que David Yates confessou que os eventos do último capítulo, As Relíquias da Morte (já em filmagens), influenciaram as mudanças do argumento deste filme, para evitar repetições ou simplesmente por não se enquadrarem de momento com o espírito do capitulo. É de esperar que pelo menos uma ou outra das cenas cortadas do final sejam talvez inseridas no próximo filme.

No geral O Príncipe Misterioso é um excelente e forte capítulo, com um visual maravilhoso, que não desilude nem mancha a saga. Entretém, é satisfatório, divertido, romântico, assustador e emocionante num misto de adrenalina e hormonas. E que, mesmo apesar da sua duração de aproximadamente de 2h30m, deixa-nos a desejar por mais. Mas que fica um bocado atrás dos pontos mais altos da saga até ao momento, O Prisioneiro de Azkaban e de A Ordem de Fénix.

Photobucket

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Review: Doomsday - Juízo Final, de Neil Marshall

Do britânico Neil Marshall, realizador de dois filmes que atingiram rapidamente o estatuto de culto: Dog Soldiers em 2002 e The Descent - A Descida em 2005, chega agora ás nossas salas de cinema (com praticamente um ano de atraso) Doomsday - Juízo Final, com Rhona Mitra (Underworld: Rise of the Lycans) como protagonista principal. O filme conta também com as interpretações secundárias de Bob Hoskins, Malcolm McDowell, Alexander Siddig, David O'Hara e Craig Conway entre muitos outros.

Depois da feroz e sanguinária alcatéia de lobisomens em Dog Soldiers e da tensa claustrofobia levada ao extremo em The Descent, o realizador e argumentista apresenta-nos agora um thriller de acção futurista pós-apocalíptico.

Em 2008, devido a um súbito surto de um novo vírus mortal, a Escócia fica isolada e mantida em quarentena. Mas quando passados 30 anos o vírus começa a infectar Londres, os líderes políticos ordenam o envio de uma equipa militar, liderada por Eden Sinclair (Rhona Mitra), em busca de uma cura evidenciada por alguns sobreviventes. Na Escócia infectada, os militares vêem-se confrontados por duas populações distintas de sobreviventes...

Inspirado nas obras de nomes como George Miller, George Romero e John Carpenter, Neil Marshall cita ao longo de Doomsday filmes como Escape From New York, Mad Max, 28 Days Later e muitas outras referências de filmes do género. O ambiente futurista e pós-apocalíptico mistura-se (mais lá para o meio) com um ambiente medieval que parece vir directamente de um épico. Esta concepção inicial - um filme futurista medieval - foi o ponto de partida do realizador para este projecto, que tinha em mente um combate de um 'soldado do futuro' contra um cavaleiro medieval.

O filme é difícil de classificar, é mais fácil admitir que se torna rapidamente num guilty-pleasure. Não é mau, mas volto a referir que não traz nada de novo, como disse parece uma colagem de vários filmes do género, e isto vindo de Neil Marshall fica-se com um vazio enorme e esperava-se muito mais...

Por outro lado, Doomsday é um filme que conforta e entretêm, que se pode considerar como um tributo aos filmes de série-b dos anos 80 e isso é algo que o realizador não esconde. Além disso temos a Rhona Mitra que rouba as atenções todas, num papel carismático e que lhe assenta que nem uma luva. Portanto apesar de Doomsday não surpreender é uma excelente homenagem ao género, e é para os fãs.

Photobucket

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Review: City of Ember


Crítica: «Cidade das Sombras»

Do britânico Gil Kenan, realizador que se estreou em 2006 com a animação digital Monster House - A Casa Fantasma, chega-nos agora Cidade das Sombras. City of Ember no original, é a adaptação do livro homónimo de Jeanne DuPrau, o primeiro capitulo da série Ember lançado em 2003. A adaptação conta com o argumento de Caroline Thompson, argumentista de Eduardo Mãos de Tesoura, A Noiva Cadáver e O Estranho Mundo de Jack.

Ember é a última cidade humana refugiada debaixo da terra, mas o seu tempo está a chegar ao fim... Durante gerações os habitantes de Ember orgulhavam-se das suas luzes, mas agora que a energia produzida pelo gerador principal começa a escassear, com falhas eléctricas cada vez mais frequentes do que o habitual, a cidade enfrenta também a falta dos alimentos. Será possível salvar Ember? A resposta encontra-se nas mãos de 2 jovens, os protagonistas principais interpretados por Saoirse Ronan (Atonement - Expiação) e Harry Treadaway (Control), que descodificam as instruções deixadas dentro uma caixa automática, deixada pelos construtores desde a criação da cidade. Uma caixa agora esquecida e que deveria ser passada ao longos dos anos, que desvenda os mistérios da cidade e que indica a saída de Ember... O filme conta também, nas interpretações secundárias, com nomes como Tim Robbins, Bill Murray e Martin Landau entre outros.

Dividido pela crítica e apesar de ser dirigido a uma audiência mais jovem, esta aventura adolescente não esteve bem na box-office americana, como vem sendo habitual com outros filmes do género. Mas é inegável que é um filme arrebatador em termos visuais, num imaginário cuidadosamente passado para o grande ecrã, um imaginário tanto fantástico como mórbido. A cinematografia parece beber do 'steampunk', um sub-género da fantasia e ficção-cientifica, mas o filme na sua narrativa parece não respirar e prende-se constantemente, principalmente na falta de ritmo em termos de aventura e no retrato de uma sociedade que está em vias de extinção num mundo pós-apocalíptico, uma visão modesta e optimista.

O resultado final não é mau, aliás é um filme do género que não segue as normas habituais, não existe aqui nenhuma batalha final, apenas o sentido de descoberta e a conquista da liberdade. É um filme familiar capaz de agradar a miúdos e graúdos, mas mais principalmente aos adeptos da fantasia juvenil. Mas após a sua visualização fica na cabeça a sensação que, vindo de Gil Kenan, se por vezes este projecto não seria mais ousado se fosse em animação.

O realizador já têm luz verde para seguir com a adaptação do segundo livro da série, intitulado de The People of Sparks, e previsto a começar as filmagens ainda este ano.

Photobucket

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A Última Casa à Esquerda - Review

Remake do controverso clássico de terror The Last House on the Left, filme de culto realizado e escrito por Wes Craven em 1972 e produzido por Sean S. Cunningham (do original Sexta-Feira 13). O filme original foi a estreia de Craven como realizador e foi censurado e até banido durante anos em vários países devido à sua violência explicita, principalmente no Reino Unido, onde só em 2008 foi classificado pela BBFC como 'uncut' para a sua edição em DVD. Mas polémicas à parte.

Sobre o novo filme, que estreia esta semana nas nossas salas, é mais um a juntar à lista de remakes recentes mas também ao sub-género de terror designado de 'survival-horror' (designação mais utilizada nos jogos de vídeo) onde retratam o terror real, fora dos temas sobrenaturais ou fantásticos.

Realizado por Dennis Iliadis, esta é a primeira produção dos estúdios Midnight Pictures, uma derivante da Rogue Pictures formado pelo próprio Wes Craven, que também serve como produtor para este remake do seu próprio filme.

Mary e Paige (Sara Paxton e Martha MacIsaac respectivamente), são duas jovens que são acidentalmente raptadas e aterrorizadas por um grupo de fugitivos na mesma noite em que Mary chega com os pais à sua casa do lago. Ao procurar refúgio, os fugitivos vão bater à porta da casa dos pais de Mary (interpretados por Monica Potter e Tony Goldwyn), a última casa à esquerda...

A base da narrativa, que foi adaptada aos dias de hoje, é ligeiramente diferente do original mas contêm na mesma cenas chocantes que podem sensibilizar algumas pessoas, e tal como o original inclui a cena da violação. Assim sendo o filme foi classificado, e bem, como Maiores de 18 anos.

Apesar do filme ter cenas tensas, bem conseguidas e encenadas com convicção, existem outras que são muito pouco credíveis, onde não consegue realçar o realismo e as reacções das pessoas nessas determinadas situações, não conseguindo agarrar o espectador no seu todo. Sente-se a falta no seu decorrer de uma atmosfera intensa, como foi tão bem filmada num outro e recente filme do género, falo de Eden Lake - O Lago Perfeito do britânico James Watkins.

Como se não bastasse, em 'A Última Casa à Esquerda', onde se sente mais a falta desse realismo é na jovem actriz principal, protagonizada por Sara Paxton (Superhero Movie, Sydney White), que em vez de ser a personagem condutora do filme é uma personagem praticamente sem sentimento em situações extremas. Em contraste a isto tudo, sente-se o sistemático esforço do realizador em manter o filme desconfortável, na boa escolha do trio psicopata (Garret Dillahunt, Joshua Cox e Riki Lindhome) mas principalmente no jovem Justin, Spencer Treat Clark (o miúdo de Gladiator, Unbreakable e Mystic River), que consegue transmitir e bem a dualidade entre o bem e o mal, o sentimento de culpa e a simpatia pela vitima na melhor interpretação do filme.

Para finalizar, não é um filme fácil de se ver mas também não é nenhum Martyrs. Parecia ter tudo para não se tornar noutro 'mau remake', o que infelizmente não aconteceu. É portanto uma tentativa de fazer um filme actual de terror exploitation, começando bem mas acabando num vulgar filme de vingança por vezes irrelevante. Se não fosse rotulado como o remake do filme de culto de Wes Craven, seria outro filme do género que de certo passaria despercebido.

Photobucket


quarta-feira, 27 de maio de 2009

Let the Right One In - Review

Ficha técnica:
Título: Deixa-me Entrar
Título original: Låt den rätte komma in (aka Let the Right One In)
Realizador: Tomas Alfredson
Argumento: John Ajvide Lindqvist
Elenco: Kåre Hedebrant, Lina Leandersson, Per Ragnar, Henrik Dahl...
Género/Classificação: Terror, Drama - M16
País/Ano: Suécia, 2008
Duração: 114 min
Links: Site Oficial | IMDB

Finalmente chega-nos ás salas nacionais ‘Deixa-me Entrar’ no seu titulo em português, 'Låt den rätte komma in' no seu original ou como é mais conhecido internacionalmente por ‘Let the Right One In’. O titulo do filme, assim como a sua obra original, para além de ser inspirado no facto dos vampiros não poderem entrar em casas sem serem convidados, é também uma referência à música de Morrisey 'Let the Right One Slip In'. Após uma passagem pelo IndieLisboa de 2008 e pela mostra de Sci-Fi de Lisboa, o filme têm finalmente a sua estreia nacional após os vários e sistemáticos adiamentos, por vezes irritantes.


O filme sueco, realizado por Tomas Alfredson e baseado na obra original e homónima do seu compatriota John Ajvide Lindqvist - que também assina o argumento - foi certamente o filme europeu mais falado do ano passado. Aclamado mundialmente tanto pelo critica como pelo publico e arrecadando vários prémios dos mais diversos festivais de cinema fantástico, incluindo o prestigiado Méliès d'Or como o melhor filme fantástico europeu. (Ver na IMDB os palmarés do filme).


Passado na década de 1980 somos apresentados a Oskar, um miúdo de 12 anos que trava uma amizade com a sua nova vizinha, Eli, uma vampira num corpo de miúda. Oskar é um rapaz solitário, frequentemente vitima de bullying na escola. Treina os seus golpes de retaliação nas árvores. Quando conhece Eli a sua vida começa a ganhar sentido.

Quando o género reciclava-se vezes sem conta e não parecia ter mais nada de novo para oferecer numa fórmula já muito gasta, Let the Right One In é um filme fabuloso, singular e surpreendente pela sua originalidade, pela sua frescura na temática sobre vampiros. Mas dizer que este filme é apenas sobre vampiros é ficar longe desta verdadeira obra-prima moderna, deste fantástico drama sobre uma amizade sem limites. Com uma narrativa lenta, adulta e rica nas suas personagens, assistimos a um terror sem exibicionismos, numa perspectiva diferente e tocante, um terror tanto belo e real quanto macabro e brutal. Logo é um filme difícil de caracterizar, para bem ou para o mal, mas uma coisa é certa: não é igual a nada a que já tivemos a oportunidade de assistir.

A realização e a cinematografia são magnificas, quase milimétricas. Aliás todos os aspectos técnicos na produção merecem destaque num filme que se expressa lindamente em termos visuais, desde a luz, os ângulos da câmara, som, tudo combina perfeitamente para o ambiente do filme e para a atmosfera tensa e gótica.


Obrigatório para quem gosta de cinema de terror fantástico, e para quem pensa que já viu de tudo dentro do género na temática sobre vampiros.
Photobucket

Ponham a cultura pop de 'Twilight' para atrás das costas - já que a saga só tende a melhorar com os próximos dois filmes - e venerem este filme. E, já agora, sobre esta 'nova vaga' da temática, não percam também a série da HBO True Blood, que vai a caminho da segunda season.

Um mais que desnecessário remake americano já se encontra em produção, irá ser realizado por Matt Reeves de 'Cloverfield'.