Paranormal Activity - Crítica
O filme sensação do ano nos Estados Unidos da América chegou esta quinta-feira às nossas salas. Actividade Paranormal teve uma inteligente e invulgar campanha de marketing, onde o produto fez valer por si e a audiência ajudou a espalhar a palavra e exigiram o filme nos cinemas das suas cidades. Conseguiu ainda ultrapassar a barreira dos 100 milhões de dólares no box-office, e isto só nos Estados Unidos.Um dos problemas do filme começa precisamente por aqui, isto derivado por uma estratégia de marketing que o conseguiu ‘vender’ exageradamente bem e que levou a nada mais do que fortes expectativas criadas em redor do mesmo. Porque apesar de até ser um bom filme, aproveitaram-se de referências que o levaram a ser considerado como ‘o mais assustador filme de sempre’ ou ‘o mais aterrador’. Afirmações essas que – apesar do estado de espírito de cada um – não pode estar mais longe da verdade. Se levam isto em conta então sairão desiludidos e até fraudulentos, já que estão a ‘comprar’ algo que não o é. Actividade Paranormal poderá até cativar a audiência mais generalizada, mas duvido que consiga surpreender os fãs mais fortes e habituais do género, deixando-os apenas com uma sensação de simpatia e conforto, ou de uma fidelidade ao bom velho ambiente do tema de ‘casas assombradas’, este cruzado com a manobra de misturar a ficção à realidade.
Realizado por Oren Peli e filmado na própria casa do realizador em 7 dias, o filme retrata na primeira pessoa o registo de actividade paranormal que tem assombrado ultimamente a casa de um jovem casal, Katie e Micah. Ela mais frágil e assustada, ele mais sério e céptico. Mais uma vez, a única pista deixada sobre os acontecimentos são as filmagens gravadas, o cliché bem ao género de um falso documentário à lá Blair Witch.
O filme tem também um grande problema de ritmo no ponto mais fulcral. A sua introdução é ideal para familiarizarmos com a história e criarmos empatia com o casal principal, mas a película sofre principalmente no que é melhor: nos momentos nocturnos, principalmente as filmadas no quarto do casal. Apesar de serem as melhores cenas do filme (com um excelente ângulo de enquadramento), teriam muito mais impacto se fossem mais extensas. No entanto, deixa a ansiedade no ar de quando acaba uma noite (vão aparecendo numeradas no ecrã juntamente com a hora) de querer assistir aos acontecimentos da próxima.
O fim de Actividade Paranormal é a chave do filme, e por aqueles breves segundos ficamos esclarecidos como surpreendidos. Este final presente nestas novas exibições foi editado, segundo dizem sugerido por Steven Spielberg. O final original, pelo que li, quando a longa metragem foi exibida em alguns festivais em 2007 tais como o Screamfest e o Slamdance, não me parece mais surpreendente apesar de se calhar fazer mais sentido. Pelo lado mau, neste final editado fica tudo em aberto… E já se houve falar de uma possível sequela.
Para terminar é importante voltar a referir o hype criado à volta deste filme, já que não se parece justificar. Mas sendo um produto americano – isto sem menosprezar a qualidade dos poucos mais ainda bons filmes americanos de terror – os apreciadores do género já estão habituados a outro tipo de terror, até mais tenso e variado (o cinema de terror Francês, Espanhol e Britânico são óptimos exemplos), do que o público americano parece neste caso sugerir? Comparações à parte, mas [REC] (2007) é um perfeito exemplo disso, e vê-se pelas ‘piscadelas de olho’ de vez em quando (o sótão, a arrastadela, o final e até o trailer que utilizou o mesmo conceito das reacções do público – propositadas ou não, elas estão lá). Em vez disso, os americanos têm o Quarantine (2008) e parecem satisfeitos com isso… São gostos de terror diferentes, e ‘o filme mais assustador de sempre’ é um lugar muito difícil de se chegar, e Actividade Paranormal nem sequer ao pódio se aproxima. Nota-se que houve aqui um óbvio exagero e claro aproveitamento da publicidade gratuita, mas este é o Blair Witch dos nossos dias e certamente vai abrir as portas a outro género de cinema a uma nova geração, tal como o Blair Witch fez nos finais dos anos 90.
Apesar das falhas, Actividade Paranormal é um filme interessante e acima de tudo é directo, simples, mas eficaz. É sem dúvida um filme inquietante para se ver, principalmente para quem gosta deste modelo de ‘falso documentário’ e do estilo da filmagem handycam (ou shakycam). Fica aqui a questão, será que o filme visto em casa enriquecerá a experiência? Quando sair o DVD comprovamos.












A magia de Hayao Miyazaki continua neste seu novo filme, Ponyo à Beira-Mar. Livremente inspirado no conto 'A Pequena Sereia' de Hans Christian Andersen, Ponyo é o décimo filme de animação de Miyazaki, o oscarizado realizador japonês (ganhou o Oscar de melhor animação com o aclamado A Viagem de Chihiro e foi nomeado por O Castelo Andante) que nos vem deliciando com as suas obras de animação já desde os anos 70.
Finalmente, o aguardado regresso de Tarantino nas nossas salas! Desde que foi apresentado em Cannes que a espera se tornava cada vez mais longa. Inglourious Basterds (Sacanas Sem Lei) é o seu longo épico de guerra, que esteve na mente do realizador à mais de 10 anos.
Remake do aclamado e fabuloso 'A Tale of Two Sisters' do coreano Kim Ji-woon (A Bittersweet Life; The Good, the Bad and the Weird), que começou a produção com o mesmo titulo do original mas que foi posteriormente alterado para The Uninvited, Os Indesejados em português. O remake americano, realizado pelos 'novatos' irmãos Charles e Thomas Guard, é o mais recente titulo da dupla de produtores Walter F. Parkes e Laurie MacDonald, que trouxeram o remake que começou tudo(?): The Ring, realizado exemplarmente por Gore Verbinsky. O filme têm nas interpretações principais os nomes de Emily Browning, Arielle Kebbel, Elizabeth Banks e David Strathairn.
Como em todos os remakes, para quem já viu o filme original, é impossível não estar sempre a um passo à frente... Ainda por cima este remake não acrescenta nada de novo. Assim sendo pode-se dizer que o filme satisfaz e irá (talvez) surpreender apenas a quem não conhece o filme de Kim Ji-woon. Esta versão americana não muda assim muito perante o original, há muitas cenas diferentes mas a trama central está intacta, mas o maior problema é a maneira como o filme desenvolve essa trama como o núcleo da narrativa, mesmo apesar de ter todos os elementos e uma boa atmosfera este thriller de suspense falha crucialmente no twist principal acabando num fraco climax.
Apesar de não ser tão tenso como previsto, há que destacar a química entre o trio feminino que é fabulosa. Emily Browing (Violet em Lemony Snicket's A Series of Unfortunate Events) não é nova nos filmes do género, entrou em filmes como Ghost Ship e Darkness Falls quando era pequena e amadureceu bastante, está mais confiante neste papel mais adulto e é ideal para esta personagem: jovem, fraca e inocente. Elizabeth Banks traz uma interpretação mais clássica da típica 'madrasta má'. De resto fica-se sempre com aquela sensação que 'é apenas mais um remake' e que poderia ser melhor. Este é um perfeito exemplo que dá continuidade à moda de Hollywood em pegar num filme de sucesso do terror asiático e recria-lo para uma audiência mais jovem. Apesar de estar um bocado acima (digamos que é um remake simpático) do que a média medíocre dos mais recentes remakes asiáticos, é pena ver histórias com este potencial desperdiçadas, e provavelmente serem lançadas para o mesmo 'caixote' juntamente com o The Eye e One Missed Call, esses sim... péssimos, que nem justiça fazem aos originais.
Sejam os remakes bons ou maus é sempre discutível, para o melhor ou para o pior, mas é verdade que mantêm sempre o original intocável, mas será mesmo que os remakes podem dar a conhecer um outro cinema que o publico mais mainstream não conhece? Ou será que esse mesmo publico desconhece que o filme em questão se trata de um remake? E será que se aventuram ou nem se importam?
Brad Anderson, o realizador que nos trouxe em 2004 o thriller psicológico 'O Maquinista' com Christian Bale e Jennifer Jason Leigh, traz-nos de novo mais um grande thriller sombrio: Transsiberian. É raro um realizador conseguir mudar drasticamente de estilo (o que não é o caso) e conseguir manter a qualidade, isto só para dizer que também há um certo conforto ao manter o seu estilo próprio, que até mais tarde pode até ser referido como uma marca do realizador. Apesar de Brad Anderson já ter mostrado que consegue fazer outras coisas tal como os romances 'Next Stop Wonderland' e 'Happy Accidents', ou mesmo thrillers com elementos de terror em 'Session 9' ou nos episódios realizados para as antologias 'Masters of Horror' e 'Fear Itself', parece que o realizador se sente muito mais confortável e confiante neste género particular de thrillers.
Os comboios são ambientes bastantes tensos, quase claustrofóbicos, e são fantásticos locais para criar e manter o suspense tal como Alfred Hitchcock nos mostrou por três vezes em 'The Lady Vanishes', 'Strangers on a Train' e 'North by Northwest'. Basicamente, é fácil de dizer que Transsiberian também é um filme muito Hitchcock, não só pela trama se passar num comboio, mas pelo desenrolar da narrativa e também pelo factor do 'culpado inocente envolvido numa trama de espionagem' tão bem presente em muitas das obras de Hitchcock. Mas o termo 'à Hitchcock' é mais usado pela particular forma de manter o suspense e o mistério, no que mostrar e no que deixar à imaginação. Não é novidade que Hitchcock é um dos realizadores que mais influenciaram a sétima arte, e foram muitos os realizadores que se inspiraram nas técnicas do Mestre ao longos dos anos: Steven Spielberg, Martin Scorsese, Brian de Palma, Francis Ford Coppola, David Lynch, Jonathan Demme, M. Night Shyamalan entre outros... Só para dar alguns exemplos.
Tal como Brad Anderson nos mostrou com o seu antecessor, este é também um excitante e tenso thriller. E mesmo apesar de se tornar por vezes um cliché - transpondo a fina linha entre a originalidade e a imitação - o filme oferece um pouco de tudo o que é necessário para ser eficaz: uma boa história de suspense e mistério, boas interpretações e caracterização das personagens numa trama complexa, e uma confiante realização numa fotografia fabulosa que ajuda muito o ambiente do filme. Fica-se arrepiado com a isolada e gelada paisagem e também agarrados com o lento desenrolar da narrativa tensa e imprevisível que parece construída degrau por degrau, com pistas falsas e alguns twists inesperados. Brad Anderson prova-nos mais uma vez que sabe como criar suspense e este Transiberiano é um filme que se recomenda.

O trio das personagens principais cresceram, estão mais rebeldes e mais confusas em termos de sentimento de romance. Essa confusão parece ter vindo juntamente na transposição para o grande ecrã no que retrata a Ron sempre mais para o lado cómico, ao contrário da relação entre Harry e Ginny que já é de um outro nível, muito palpável e convicta. Mas o maior destaque nos jovens actores terá que ir para Tom Felton como Draco Malfoy, um dos melhores no seu papel, um vilão forte e carismático. E para isso basta ver o início na carruagem do comboio para não se ter dúvidas que irá ser um dos pontos altos do filme. Sobre as caras novas o destaque vai obviamente para Jim Broadbent no papel do Professor Slughorn.
Do britânico 
Remake do controverso clássico de terror 

O filme sueco, realizado por Tomas Alfredson e baseado na obra original e homónima do seu compatriota John Ajvide Lindqvist - que também assina o argumento - foi certamente o filme europeu mais falado do ano passado. Aclamado mundialmente tanto pelo critica como pelo publico e arrecadando vários prémios dos mais diversos festivais de cinema fantástico, incluindo o prestigiado Méliès d'Or como o melhor filme fantástico europeu. (Ver na
Passado na década de 1980 somos apresentados a Oskar, um miúdo de 12 anos que trava uma amizade com a sua nova vizinha, Eli, uma vampira num corpo de miúda. Oskar é um rapaz solitário, frequentemente vitima de bullying na escola. Treina os seus golpes de retaliação nas árvores. Quando conhece Eli a sua vida começa a ganhar sentido.
Obrigatório para quem gosta de cinema de terror fantástico, e para quem pensa que já viu de tudo dentro do género na temática sobre vampiros. 





