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terça-feira, 26 de janeiro de 2010

'Invictus', de Clint Eastwood - Antevisão

Como já nos tem habituado (e bem!) nas últimas décadas, Clint Eastwood é um nome obrigatório na realização e sinónimo de qualidade, daquela que tão pouca parece surgir de Hollywood ultimamente. A caminho dos 80 anos, tem idade para ser pai ou até avô da maioria dos seus devotos, e mesmo assim continua a trabalhar realizando praticamente um filme por ano. Em dois desses anos até nos apresentou dois filmes(!), em 2006 o díptico da guerra de Iwo Jima: As Bandeiras dos Nossos Pais e Cartas de Iwo Jima, e em 2008 com A Troca e Gran Torino. Parece que após a sua última obra-prima na realização, falo de Mystic River de 2003 (consagrado pela Academia), Eastwood encontrou o seu registo que o define com um dos maiores realizadores vivos da actualidade e apresenta muito simplesmente bons filmes uns atrás dos outros, uns melhores e outros piores, mas sempre dentro de um grande nível de excelência. E mesmo com isto tudo, parece não querer parar tão cedo, já que o próximo projecto, o thriller sobrenatural Hereafter (que já anunciamos aqui), já foi oficializado para o final de 2010. A sua eterna paixão à arte só faz o cinema ganhar com isso.

Clint Eastwood regressa agora com o drama biográfico Invictus, baseado na obra do jornalista e autor John Carlin intitulada de “Playing the Enemy: Nelson Mandela and the Game That Changed a Nation”. Invictus retrata o período da vida de Nelson Mandela (interpretado por Morgan Freeman) após de ter sido eleito presidente de África do Sul em 1994. O pano de fundo é o Campeonato do Mundo de Rugby de 1995, com Matt Damon a interpretar François Pienaar, o capitão da selecção sul-africana, os Springboks.

De lembrar que Nelson Mandela foi libertado da prisão em 1990, onde esteve décadas preso, e ganhou a presidência de uma África do Sul pós-apartheid em 1994. Com Mandela a começar a resolver os problemas maioritários do país (crime, racismo, desemprego, entre muitos outros…), o campeonato do mundo que o país iria ser anfitrião no ano seguinte parece ser a maior oportunidade para começar a unir a sua população. Mandela mantém-se então com apenas um pensamento em mente: se os Springboks conseguem deixar em euforia inúmeros sul-africanos, se conseguirem triunfar no campeonato do mundo, então é razão suficiente para unir e inspirar o país a voltar a ganhar a confiança. O título do filme, Invictus, surge do poema de William Ernest Henley e que Mandela partilha com a selecção nacional, poema essa que o inspirou também durante o seu tempo na prisão.

Morgan Freeman foi o primeiro a ser anunciado no elenco para o papel de Nelson Mandela, que até teve a oportunidade de o conhecer pessoalmente, ainda na altura se pensava que seria mais um biopic sobre a vida do presidente sul-africano do que centrado em certo acontecimento, neste caso o do campeonato do mundo de rugby. O nome de Matt Damon veio depois, e apesar de ser pouco parecido fisicamente com o capitão da selecção sul-africana, foi treinado por Chester Williams, uma das estrelas da equipa da altura. Matt Damon que também já está confirmado como protagonista principal em Hereafter.

O filme tem vindo a ser nomeado pelas mais diversas associações de críticos norte-americanos como um dos topo do ano de 2009, e Clint Eastwood, principalmente, tem recebido sucessivas nomeações como Melhor Realizador tal como Morgan Freeman para Melhor Actor Principal. Na mais recente edição dos Globos de Ouro Invictus não triunfou, nem esteve entre os nomeados para Melhor Filme de Drama, mas esteve bem presente em três categorias principais com nomeações para Melhor Realizador, Melhor Actor Principal e Melhor Actor Secundário (Matt Damon).

Com tantos pontos a seu favor, não será exagero nenhum em dizer que Invictus é um filme imperdível!

Estreia a 28 de Janeiro

terça-feira, 27 de março de 2007

'Letters from Iwo Jima' de Clint Eastwood

Depois de Flags of Our Fathers, aqui fica o outro complemento de Eastwood sobre a batalha de Iwo Jima, desta na perspectiva dos japoneses. O aclamado Letters from Iwo Jima (Cartas de Iwo Jima) foca a perspectiva da resistência japonesa, onde as tropas tentam impedir em menor numero e sem reforços o ataque americano à ilha vulcânica situada a sul de Tóquio. Ponto estrategicamente importante na batalha entre os Estados Unidos da América e o Japão durante a segunda guerra mundial, onde a ilha é tudo o que se mete no caminho dos americanos rumo ao Japão.

O filme, apesar de uma produção americana, é filmado praticamente por inteiro em Japonês e é baseado no livro 'Picture Letters from Commander in Chief' do General Tadamichi Kuribayashi, interpretado no filme por Ken Watanabe, e pela obra 'So Sad to Fall In Battle: An Account of War' de Kumiko Kakehashi. Apesar da temática conjunta, ambos os filmes têm a mesma abordagem mas visões diferentes da guerra, onde Flags era um retrato falso de heroísmo, Iwo Jima atinge o máximo em termos de honra e patriotismo. Mas ao invés do anterior, este filme tem um heroísmo e glória diferente... sem tom de vitória.

Ao apresentar-nos o ângulo inverso, Clint Eastwood apresenta-nos um fantástico e comovente drama de guerra com excelentes (e brutais) cenas de batalha (cruzando-se até com Flags em várias partes), fortes interpretações e uma mensagem clara. Um retrato verdadeiro de emoções humanas e pessoais das diferentes personalidades tornando este filme mais verdadeiro e significativo do que o seu antecessor. Com os flashbacks a enriquecerem ainda mais a história e a caracterização das várias personagens, onde as diversas cartas escritas e recebidas são uma presença constante, cartas de amor, saudade e esperança.

Clint Eastwood surpreende em mais uma etapa, desta concluindo um ambicioso e arrojado projecto com estes brilhantes e realistas retratos de guerra. Dedicando-se igualmente para ambas as partes e retratando cada soldado como seres humanos que lutam pelo seu país porque assim acreditam, com respeito e gratitude, quando na maioria os filmes de guerra mostram os 'inimigos' como desumanos. Coisa rara em filmes de guerra, 'o retrato do inimigo' por assim dizer (isto falado pelo lado americano), mas isto só para referir que talvez devessem haver mais produções americanas assim...

Letters from Iwo Jima: 9/10

domingo, 14 de janeiro de 2007

'Flags of Our Fathers' de Clint Eastwood


O duplo projecto de Clint Eastwood sobre a sangrenta batalha da ilha de Iwo Jima, que decorreu durante a segunda guerra mundial, vista por ambos lados - Flags of Our Fathers pelo lado dos americanos e Letters from Iwo Jima pelo lado dos japoneses. Este último filme esperado com mais expectativa devido à sua recepção pela crítica, considerado por muitos como o melhor filme do ano de 2006 e um dos potenciais nomeados à corridas dos Oscares. Letters from Iwo Jima tem estreia prevista por cá em Fevereiro, dia 22.

Aqui, em Flags of Our Fathers, é retratada a história dos 6 soldados que levantaram a bandeira americana no topo de um monte da ilha de Iwo Jima, numa falsa manobra de esperança como símbolo de vitória pelo governo americano, num misto de publicidade e propaganda, de uma farsa como tão bem foi referido por Ira Hayes um dos soldados retratados no filme.

O filme, produzido por Steven Spielberg e argumentado por dois nomes de peso, William Broyles e Paul Haggis, é baseado na obra original de James Bradley e Ron Powers. James Bradley, que também é retratado no filme na altura da investigação para a obra, é precisamente o filho de John Bradley (Doc), um dos soldados que ajudaram a estear a bandeira.


Sendo produzido por Spielberg, não é estranho de se notar uma certa similaridade nas cenas de batalha que fazem lembrar o Saving Private Ryan e a mini-série Band of Brothers, no entanto é mais importante referir que estamos perante a uma das melhores fotografias de guerra alguma vez vistas em filme, com uns soberbos efeitos especiais e tudo isto debaixo de uma realização magnífica de Clint Eastwood como ele tão bem nos têm habituado ultimamente.

Numa estrutura não linear, este filme é um misto de três partes sendo a mais importante a batalha de Iwo Jima na tomada da ilha japonesa pelos americanos. Nas restantes, retratam a fama dos três 'heróis' sobreviventes na maior parte do filme e uma terceira parte mais curta retrata o autor da obra original e filho de John Bradley (Doc), James, nas suas investigações e entrevistas.

O filme, visualmente, é de facto arrebatador, é uma visão única de um retrato honesto, sentimental e ao mesmo tempo provocativo e crítico da guerra. Um heroísmo diferente, onde os verdadeiros heróis são os que morrem ao lado dos outros e não os que são vendidos à nação.

Após de aplaudir o filme 'vitorioso' de Clint Eastwood, é só esperar impacientemente pelo filme da 'derrota', o retrato do lado dos japoneses.

Flags of Our Fathers (As Bandeiras dos Nossos Pais): 9/10